Cineprojeto 365

12 junho, 2007

Edison – Poder e Corrupção (Edison)

Filed under: Rango de Boteco — cineprojeto365 @ 8:35 pm

(originalmente publicado no extinto site Erotikill)
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Direção: David J. Burke
Elenco: Morgan Freeman, LL Cool J, Justin Timberlake, Kevin Spacey, Dylan McDermott, Cary Elwes, Piper Perabo, Roselyn Sanchez, Bryan Genesse, Robert Miano, Françoise Yip
Ano: 2005
País: EUA/Canadá
Duração: 97 min

Como eu gostaria de estar presente na noite da pré-estréia de “Edison – Poder e Corrupção” nos cinemas da minha cidade. Seria muito legal partilhar os comentários sarcásticos do pessoal na fila pelo fato de irem assistir a um filme onde Morgan Freeman e Kevin Spacey contracenam com Justin Timberlake. Isso mesmo, você não leu errado. Aquele bocó do grupinho N’Sync agora está inventando de ser ator. Quem será que viu talentos dramáticos neste sujeito? Já, já, o leitor irá saber. Papo vem, papo vai e a projeção começa. O meu principal motivo de querer conferir o longa naquele dia, é saber qual seria a minha reação quando a logomarca da Millennium Films aparecesse na tela grande. Provavelmente, eu soltaria um PQP ou botava a mão na boca para controlar uma sonora gargalhada, evitando ser o centro das atenções na sala. Críticos do Brasil, se liguem-se. Só quem leva a sério as produções da Millennium Films/NU Image, que enche as locadoras com os recentes filmes de Steven Seagal e coisas tipo “SharkMan”, “LarvaMan”, “MosquitoMan” e “Skeleton Man”, são os próprios produtores. Não é à toa que “Edison – Poder e Corrupção” seja uma fita policial da mais convencionais feita com o único propósito de caçar-níqueis das fãs do cantor pop.

Numa das madrugadas da cidade fictícia de Edison, Deed (LL Cool J) e Lazerov (Dylan McDermott), dois oficiais da F.R.A.T. – espécie de S.W.A.T. – invadem uma residência abandonada e abordam dois traficantes. Depois de recolherem todo o dinheiro e drogas do local, matam um dos criminosos devido a sua resistência. O sobrevivente colabora com os tiras e é levado para a Justiça tendo base na história criada por Lazerov. No final do julgamento, o jovem jornalista Joshua Pollock (Justin Timberlake) vê o réu agradecer Deed. Intrigado, o ambicioso rapaz – que sonha em ganhar o Pullitzer – parte em busca da verdade, assistenciado pelo seu patrão Ashford (Morgan Freeman) e o investigador público Wallace (Kevin Spacey), para investigar a F.R.A.T., que é chefiada por Tillman (John Heard).

Há tempos não via tanto talento desperdiçado num verdadeiro festival de mediocridade como este “Edison – Poder e Corrupção”. A começar pela pavorosa escolha de Justin Timberlake para interpretar o protagonista, a única esperança de que o longa seria no mínimo bom é o restante do elenco. Porém, ela acaba indo por água abaixo quando vemos que os outros atores estão mais perdidos do que Dennis Hopper em “Waterworld”. Morgan Freeman e Kevin Spacey deviam estar tão desesperados atrás de dinheiro para pintar a garagem ou pagar o crediário que nem deviam ter lido o roteiro. Os dois possuem alguns dos momentos mais constrangedores de todas as suas carreiras. Numa delas, Ashford expulsa Pollock do seu apartamento para ficar sozinho e dançar!! De quebra, ainda temos um caricato John Heard e LL Cool J sendo ele mesmo.

Dylan McDermott, por sua vez, é o mais esforçado e acaba salvando um pouco o filme da desgraça total. Pena que sua presença em cena seja reduzida. Agora, dos dois restantes, precisa adivinhar quem seria o pior? Cary Elwes ou Justin Timberlake? O último conseguiu a proeza de superar a canastrice de Elwes, basta checar a hilária cena na qual o seu promotor Reigert grita com Wallace (reparem na cara de preocupação de Spacey!!) no escritório. Ainda bem que o ator tem só uns 10 minutos de participação se juntarmos tudo. Faziam anos que não me indignava com um desempenho tão sofrível, abominável e horripilante como o de Justin Timberlake. Impossível acreditar que David J. Burke tenha escrito o papel pensando nele. Cruz credo!! Além de ter uma vozinha irritante, o cara é muito ruim. E modéstia à parte, quem está falando isso é um aficcionado por filmecos baratos, portanto, alguém extremamente acostumado com atuações ridículas.

Desde os primeiros minutos, a produção vai caindo nas idiotices do roteiro (escrito pelo próprio diretor) até não poder mais. “Edison…” tem os vilões mais imbecis da história do cinema recente. Não dá para engolir que eles sintam ameaça num artigo que será escrito sem nenhuma evidência concreta contra o seu esquema de corrupção por um jornalistazinho meia-tigela de folhetim. Apesar de Joshua sofrer de extrema incompetência (numa cena, ele só liga o gravador depois que sua principal testemunha – um marginal encarcerado – fala algo de comprometedor para a F.R.A.T.), os babacas atacam o protagonista, comprovando tudo que ele apenas pensava anteriormente. Palmas para o brilhantismo de Burke em sua estréia cinematográfica!! E quanto a sua direção de telefilme, extremamente malhada pela crítica, confesso já ter visto bem piores.

Satisfazer a curiosidade mórbida de conferir um elenco consagrado pagando tamanho mico numa produção totalmente equivocada sempre é algo divertidíssimo para quem curte cinema classe B. Somando tudo, “Edison – Poder e Corrupção” já é considerado por muitos como um futuro clássico trash. Ele também só pode ser levado a sério por quem não sabe desfrutar de uma boa tralha quando a reconhece. Caso você tenha ficado com vontade de assistir este filme, aqui vai um recado: Não gaste seu suado dinheirinho para ver nos cinemas, espere ele ser lançado como deveria… nas locadoras.

PS: Fanáticos por fitas B, me ajudem!!! Fiquei indignado por não ter encontrado dois rostinhos sagrados destas produções cujos nomes estão nos créditos finais: Bryan Genesse e Robert Miano. Será que eles estão na “director’s cut”?

Osvaldo Neto

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