Cineprojeto 365

13 junho, 2007

Os Quatro do Apocalipse (I Quattro dell’apocalisse / The Four of the Apocalypse / Four Gunmen of the Apocalypse / Four Horsemen of the Apocalypse)

Filed under: Sala de Tiro — cineprojeto365 @ 2:43 pm

(originalmente publicado no extinto site Erotikill)
4apocalypse.jpg

Direção: Lucio Fulci
Elenco: Fabio Testi, Lynne Frederick, Michael J. Pollard, Harry Baird, Adolfo Lastretti, Bruno Corazzari, Giorgio Trestini, Donald O’Brien, Tomas Milian
Ano: 1975
País: Itália
Duração: 104 min

O ciclo italiano de faroestes tem vários títulos interessantes que merecem ser conhecidos por qualquer fã de cinema. Não seria exagero nenhum dizer que “Os Quatro do Apocalipse” é um deles. Mesmo que o estilo já estivesse apresentando sinais de desgaste em 1975, Lucio Fulci – que na época nem sonhava em ser cultuado como diretor de filmes de terror – realizou um espetáculo memorável, violento (é lógico…) e muito anti-convencional. Tanto que devo assumir que o filme deve desagradar a vários espectadores.

No início, vemos o galante jogador de cartas Stubby Preston (o ótimo Fabio Testi) chegando na cidade de Salt Flat, em Utah. O sujeito mal desce da carruagem e é logo abordado pelo xerife (Donald O’ Brien, em participação especial), que revira as suas coisas e o prende. Na cela, ele conhece a prostituta Bunny (a bela Lynne Frederick), o alcoólatra Clem (Michael J. Pollard, figuraça) e Bud (Harry Baird), um homem negro que não gira muito bem da cabeça e diz conversar com os mortos. Durante a madrugada, um grupo armado e encapuzado extermina sumariamente todos os criminosos que estavam se divertindo nos bares. Só pela violência desta seqüência em particular (aqui, os tiros sangram mesmo!!), já podemos notar que estamos assistindo a um faroeste sem o menor tradicionalismo.

Na manhã seguinte, e mediante o pagamento de uma forçada propina ao homem da lei, Stubby e seus três novos companheiros partem numa velha carroça a caminho de Saint City, onde conhecerão várias pessoas. Enquanto continuam o seu trajeto, eles cruzam com Chaco (o cubano Tomas Milian, sempre presença) um tipo estranho, de boa pontaria e que se veste como um “hippie”. Amizade, companheirismo, drogas, estupro, ódio, romance, tortura, vingança e até mesmo canibalismo são algumas das coisas e sentimentos que estarão presentes durante toda a jornada dos personagens principais. Há ainda espaço para simbolismo religioso, quando os personagens principais entram numa cidade dominada pela neve, algo que chega a lembrar o inesquecível “O Vingador Silencioso”.

O leitor deve ter notado que “Os Quatro do Apocalipse” são, na verdade, esses quatro perdedores. Protagonistas de uma espécie de “road-movie” no Velho Oeste americano, Stubby, Bunny, Clem e Bud vivem à mercê do destino e arriscando as suas vidas a todo instante. Chaco aparece querendo se juntar ao grupo, prometendo que não faltará comida enquanto ele estiver com o quarteto, pelo fato de ser um exímio atirador. Todos aceitam, sem sequer imaginar os infortúnios que terão de enfrentar por causa dele. Os pobres acabaram se esquecendo daquele velho ditado popular: “De boas intenções, o inferno está cheio”. Naquela que talvez seja a cena mais comentada do filme, nós vemos o quanto Chaco é cruel. Depois de efetuar um disparo certeiro em um xerife (Lorenzo Robledo, não creditado, que também sofre no clássico “Por Uns Dólares a Mais”) que os perseguia, ele o amarra numa árvore e começa a arrancar tiras da pele do coitado com uma faca!!

“Os Quatro do Apocalipse” respira anos 70, provando que o cinema é uma arte que expressa o momento histórico, social e cultural da época das suas produções. Tomemos a trilha sonora e o psicótico Chaco como exemplo. A maioria das músicas compostas por Fabio Frizzi, Franco Bixio e Vince Tempera são bem “hippongas”, cantadas e viajantes. Muitos as consideram um ponto fraco (eu, inclusive), mas pode-se até dizer que sem elas o filme não teria a sua constante e eficiente atmosfera de estranheza. Quanto ao personagem de Milian, só quem não prestar atenção deixa de perceber que ele foi inspirado em Charles Manson, o sádico responsável pelo assassinato da linda atriz Sharon Tate, que estava grávida do seu marido Roman Polanski.

O resultado final é uma produção única (assim como várias outras…) da extensa filmografia de Lucio Fulci, por ser um dos poucos filmes que conseguem ser bonitos, mesmo tendo a sua elevada dose de violência. Merece muito ser conhecido, e caso você acabe não gostando, acredito que as atuações e algumas belas imagens registradas pela câmera de Sergio Salvati possam muito bem compensar o tempo do espectador.

NA: O DVD nacional lançado pela Works é recomendadíssimo, apesar da costumeira ausência de extras. Apresentado em sua melhor versão, numa cópia integral com imagem em widescreen anamórfico extraída do disco da distribuidora americana Anchor Bay, o disco é uma bela aquisição que pode ser encontrada nas Lojas Americanas por meros R$ 9,99.

Osvaldo Neto

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