Cineprojeto 365

13 junho, 2007

Missão Laser (Laser Mission)

Filed under: Poltrona R — cineprojeto365 @ 2:27 pm

(originalmente publicado no extinto site Erotikill)
lasermission.jpg

Direção: BJ Davis (Beau Davis)
Elenco: Brandon Lee, Debi Monahan, Ernest Borgnine, Graham Clarke, Werner Pochath, Pierre Knoessen, Maureen Lahoud
Ano: 1990
País: EUA
Duração: 84 min

Quem espera grande coisa de uma produção cujo título sequer chama a atenção mesmo tendo relação direta com a história? Some isso ao fato de termos Brandon Lee em sua estréia no cinema americano e Ernest Borgnine juntos numa mistureba ingênua de ação e ficção científica. E ainda temos a música-tema sendo executada mais de 5 vezes em todo o filme, levando o espectador a crer que David Knopfler (irmão de Mark Knopfler e ex-Dire Straits) não recebeu o suficiente para elaborar uma trilha sonora completa.

Brandon Lee (que teria uma provável bela carreira interrompida devido ao seu brutal falecimento durante as filmagens de “O Corvo”) é Michael Gold, um mercenário norte-americano enviado a um país ditatorial fictício com o propósito de contatar o professor Braun (Ernest Borgnine, mandando ver no falso sotaque alemão) e lhe propor asilo nos Estados Unidos. Braun possui o projeto de uma arma à laser guardada na memória, que só pode ser elaborada com a inclusão de um famoso e caro diamante roubado no início do filme. Gold promete liberdade total e segurança no seu novo lar, pois a criação não pode cair em mãos erradas. Durante a conversa, ambos acabam atingidos por dados tranquilizantes no pescoço. Aprisionado pelo horrendo (no mal sentido…) Coronel Kalishnakov (Graham Clarke) e sem idéia do paradeiro do simpático senhor, resta ao mercenário aturar um guarda tosco dizendo “We cut off your head mañana!!”, escapar da cela, falar com seus contratantes e iniciar uma missão de resgate.

Requisitos como os descritos acima fazem qualquer produçãozinha ser diversão garantida para os apreciadores de um bom filme ruim. “Missão Laser” pode ser visto como um belo cartão de visitas para as filmecos fuleiros do gênero que infestaram os cinemas e as prateleiras das locadoras nos anos 80. O leitor deve estar se perguntando: – Peraí, mas ele não foi feito em 1990? Exatamente, o roteiro é uma tremenda colcha de retalhos de todos os clichês e besteiras destas saudosas produções. O básico do básico está presente: o moçinho fodão que pouco está ligando para as situações perigosas, a gatinha ajudante (aqui, Debi Monahan), o vilão imbecil, os personagens cômicos sem a menor graça e um veterano decadente fazendo participação especial.

E tome queijo. Numa fuga em cima dos telhados de uma residência, Michael Gold cai na sala de jantar desta, quebrando tudo. Depois de se levantar sem sofrer um mísero arranhão, ele segue rumo a concluir seu objetivo, quando olha o casal assustado e diz: – Só vim aqui para dizer… bom apetite!! Com tamanha esculhambação, fica impossível não sentir pena ao ver Ernest Borgnine, astro de obras do porte de “Os Doze Condenados”, “Meu Ódio Será Sua Herança” e “O Imperador do Norte” (só para citar três…) encarando furadas deste nível para faturar uns trocados. Já os vilões Graham Clarke e Werner Pochath (falecido em 1993, vítima da AIDS) mostraram que são bons profissionais. Deveriam ter observações assim no roteiro: para quem for Kalishnakov, seja bem ridículo; para quem for Eckhardt, seja mais ridículo ainda e tente fazer umas expressões faciais toscas para mostrar a insanidade do personagem. Eles conseguiram.

Algo que não deve ser cobrado em “Missão Laser” é lógica. Acreditem, depois de um cena de tiroteio no meio urbano, os protagonistas seguem rumo a estrada e vão parar num deserto!! Também não dá para decifrar onde diabos se passa a história. O país tem a aparência de ser localizado na África, com o idioma falado sem definição entre inglês e espanhol (alguns falam só o idioma britânico ou latino e outros, como o guarda tosco, misturam os dois) e escritos em português. Falando nisso, todos os sotaques dos atores americanos interpretando estrangeiros são um ponto a mais para o fator trash da produção.

Enfim, apesar da ruindade geral, o filme tem um bom visual graças aos cenários escolhidos pelos produtores. Mas isso pouco importa. O importante mesmo é que “Missão Laser” diverte quem curte ficar tirando sarro das babaquices enquanto confere alguma bobagem inofensiva de vez em quando (senão o cérebro atrofia hehehe).

NA: 01 – Infelizmente, dá para notar que alguns momentos foram editados pela censura como uma decapitação, uma cena de sexo e a morte de um dos principais vilões. Segundo um usuário no IMDb, a versão sem cortes é a intitulada “Soldier of Fortune”.

02 – Os direitos de copyright do longa caíram em domínio público. Então, qualquer um que adquira uma cópia do filme pode distribuí-lo a vontade que não tem bronca com a lei. Segue um link para download desta pérola via este excelente site especializado em torrents de filmes em domínio público: http://www.publicdomaintorrents.com/

Osvaldo Neto

Anúncios

Deixe um comentário »

Nenhum comentário ainda.

RSS feed for comments on this post. TrackBack URI

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Crie um website ou blog gratuito no WordPress.com.

%d blogueiros gostam disto: