Cineprojeto 365

12 junho, 2007

Blast! (Blast!)

Filed under: Sala de Tiro — cineprojeto365 @ 8:23 pm

(originalmente publicado no extinto site Erotikill)
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Direção: Anthony Hickox
Elenco: Eddie Griffin, Vinnie Jones, Breckin Meyer, Soup, Shaggy, Nadine Velazquez, Hannes Jaenicke, Tommy ‘Tiny’ Lister, Warwick Grier, Vivica A. Fox, Nicky Andrews, Paul Du Toit, Langley Kirkwood, Dean Slater
Ano: 2004
País: EUA/Alemanha/África do Sul
Duração: 91 min

O atual cinema de entretenimento se encontra repleto de diretores sem qualquer senso de como se deve contar uma determinada história. Eles são os responsáveis pela proliferação de tantas produções destinadas a públicos menos exigentes em conferir uma boa narrativa. Infelizmente, a juventude está tão acostumada a sair de casa para assistir longos videoclipes filmados em película exagerando nos planos fechados, cortes rápidos e cheios de tiros, explosões e belas modelos seminuas (ei, isso é bom!) divulgados como filmes de ação. O sucesso garantido de bilheteria faz com que os produtores contratem estes verdadeiros paus mandados que sequer nutrem a menor admiração pelo cinema. “Blast!” não é nenhuma maravilha da sétima arte, por ser uma simplória e ligeira diversão com um elenco mais interessado em curtir as filmagens do que atuar. Mas ao assistí-lo, fica claro que ele seria mais uma bomba se não fosse pela condução de Anthony Hickox.

A introdução mostra o bombeiro Lamont Dixon (Eddie Griffin) tentando salvar a vida do seu parceiro e melhor amigo durante um grande incêndio, porém seus esforços são insuficientes. Os anos se passam e vemos que Dixon conseguiu a guarda de Eric (Nicky Andrews), o filho do falecido. Ele é contratado pelo inescrupuloso Heller (o alemão Hannes Jaenicke, presente em vários “direto-para-vídeo” americanos, principalmente os de Fred Olen Ray e Jim Wynorski) para rebocar uma plataforma localizada na costa californiana numa véspera de Natal. No lado de fora, e como de costume, há ambientalistas e simpatizantes protestando contra a saída da navegação.

Quem lidera um destes grupos é o famoso Michael Kittredge (Vinnie Jones, um dos “não-atores” mais bacanas do cinema atual). Depois de tudo, Kittredge inicia outro protesto em um barco, onde ocorre um incêndio acidental. Dixon e seu pessoal se empenham e conseguem salvar todos aqueles que estavam na pequena embarcação. Porém, os resgatados, apesar de se dizerem ambientalistas, possuem intenções nada pacifistas e fazem vários reféns. Não precisa ser gênio para adivinhar que Dixon é uma das poucas pessoas ausentes no momento onde tudo começou e que será ele quem surpreenderá os vilões por enfrentá-los utilizando seu treinamento militar. Entre eles, além de Kittredge, temos um branquelo (Breckin Meyer) chamado Jamal, a latina Luna (a gatinha Nadine Velasquez) e Smiley (Tommy “Tiny” Lister, aquela figura carinhosa de sempre). Heller negocia a situação acompanhado dos agentes federais Reed (Vivica A. Fox) e Phillips (Langley Kirkwood, do tosco “Drácula 3000”).

A partir daí, o filme se torna outra variação de “Duro de Matar”, pelo fato de termos aqui o roteirista do próprio, Steven E. de Souza, mais uma vez escrevendo uma trama – baseada por sua vez num telefilme alemão intitulado “Operation Noah” – com várias características deste clássico do cinema de ação. E os clichês do gênero são constantes: Há o típico capanga babaca (preciso mesmo dizer quem o interpreta no filme?), os agentes que ficam resolvendo tudo numa salinha (geralmente, são papéis que só precisam de uns dois dias de filmagem), as situações envolvendo reféns e o garotinho, os bandidos ameaçando e matando vários inocentes, um homem contra todos os inimigos… enfim, mais fácil para Souza desenvolver o material impossível.

Mesmo tendo atores famosos, nota-se que o filme foi feito com o orçamento padrão da maioria dos “direto-para-vídeo” da Nu Image/Millennium Films e Hickox acabou se rendendo ao uso de trechos de outros filmes na montagem, assim como Wynorski e Olen Ray, para baratear os custos da produção. A utilização de “Cortina de Fogo” é notada logo no início, na seqüência do incêndio e quando entram caças aéreos no final a palavra “Maverick” pode ser lida num deles. Maverick é nada menos que o personagem de Tom Cruise em “Top Gun”.

Enfim, “Blast!” não apresenta nenhuma novidade. Ele tem o típico pirralho chato, alguns furos (um dos capangas principais simplesmente desaparece no decorrer do longa), e ainda leva Eddie Griffin, um sujeito baixinho e de voz divertida de ser ouvida, a sério como herói de ação! Anthony Hickox devia saber que isso é algo impossível quando o escalou, já que o “desempenho” do ator certamente ajuda na diversão. E quem acompanha a sua carreira sabe que ele dá um banho em muitos outros diretores de filmes do gênero pelo seu talento narrativo e criatividade para contornar as limitações orçamentarias. Portanto, caso alguém não tenha nada melhor para fazer numa tarde de sábado ou domingo e está a procura de um filminho de ação rápido e bem realizado, “Blast!” poderá agradar em cheio.

Osvaldo Neto

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