Cineprojeto 365

12 junho, 2007

36 (36 Quai des Orfèvres)

Filed under: Sala de Tiro — cineprojeto365 @ 7:42 pm

(originalmente publicado no extinto site Erotikill)
36.jpg

Direção: Olivier Marchal
Elenco: Daniel Auteuil, Gérard Depardieu, André Dussollier, Roschdy Zem, Valeria Golino, Daniel Duval, Francis Renaud, Catherine Marchal, Guy Lecluyse e Alain Figlarz
Ano: 2004
País: França
Duração: 104 min

Deixou de ser espantoso saber que a maioria dos lançamentos cinematográficos vindos fora dos Estados Unidos estejam acima da média atual. Também pudera, Hollywood está fazendo jus ao seu título de “máquina de fazer filmes”. Todo ano, ela lança inúmeras produções possuindo astros, de peso ou não, com o único interesse de caçar níqueis. Eis que no Brasil chega “36”, um belo exemplar de cinema comercial de qualidade realizado na França.

A produção é concentrada no cotidiano dos policiais Léo Vrinks (Daniel Auteuil), líder da BRI (Brigade de Recherche et d’Intervention, um esquadrão anti-gangues) e Denis Klein (Gérard Depardieu), líder da BRB (Brigade de Répression du Banditisme, esquadrão que investiga grandes roubos). Eles convivem diariamente com o outro, mesmo sendo fortes inimigos pessoais devido a um antigo acontecimento particular. Para piorar, o Chefe de Polícia Robert Mancini (André Dussolier) irá se aposentar e os considera seus favoritos para ascender ao cargo. Nenhum deles presta.

Numa das cenas, Vrinks, que inclusive é casado com Camille (Valeria Golino) e tem uma filha, leva um criminoso de carro para matar algum desafeto em troca de informações sobre a gangue de assaltantes de carro forte procurada pelas duas divisões. O homem ainda conta com seus parceiros inseperáveis Titi Brasseur (Francis Renaud) e Eddy Valence (Daniel Duval, que contracenou com Auteuil no memorável “Caché”, de Michael Haneke). O que se pode dizer de um sujeito amargurado e repulsivo como Klein? Depois do expediente, o sujeito vive enchendo a cara nos bares parisienses e sempre tenta, de alguma maneira, se vingar aos poucos do colega de corporação. Percebe-se, portanto, que o futuro dos dois oficiais será marcado por trágicas conseqüências.

Tido por alguns como o “Fogo Contra Fogo” francês, “36” também possui uma trama policial protagonizada por dois grandes astros do seu país de origem e um roteiro que prefere focar os personagens ao invés da ação. Isso não adiantaria de nada, se não tivéssemos aqui uma direção equilibrada, alternando de maneira precisa momentos dramáticos com outros violentos, envoltos por uma belíssima trilha sonora. Além de dirigir, Olivier Marchal também colaborou no roteiro, utilizando a sua experiência como ex-policial ao lado de Dominique Loiseau, ex-membro da BRI.

Em termos de atuações, o filme pode se considerar bem servido. Bons personagens como Vrinks e Klein merecem ser representados por atores de nível e nem sequer dá para imaginar que os escolhidos poderiam fazer feio. 3 anos depois do sucesso internacional de “O Closet”, Marchal promoveu o reencontro de Auteuil e Depardieu para interpretarem papéis bem diferentes. Como é bacana ver Gérard Depardieu realmente usando o seu talento na construção de um personagem que aparenta ter sido escrito pensando nele. Auteuil é um ator digno de maior reconhecimento internacional, basta conferir seus desempenhos neste e no recente “Caché” para ter uma noção do quanto ele ainda pode nos surpreender. Outro ponto positivo da produção é mostrar uma Paris dominada pelo crime (mesmo deixando muito da sujeira quietinha para não enfeiar o visual) como pano de fundo.

“36” tem as suas falhas (repare no segundo ato da história) e alguns furos no roteiro. Mesmo assim, é impossível entender como algo tão bom e acima da média atual não possua a divulgação merecida e nem sequer tenha distribuidor nos Estados Unidos. Todos os fãs brasileiros do bom cinema notam que a maioria das distribuidoras não enxergam o potencial qualitativo dos seus lançamentos. Isso é fato, basta lembrar de baboseiras como “Stealth”, “Sahara” e “Amigo Oculto” às vezes ocupando salas por mais de um mês nos cinemas, enquanto “Narc”, “Conflitos Internos” (apenas citando dois dos melhores policiais feitos nos últimos anos), “Shaun of the Dead” e este “36”, vão parar direto nas prateleiras das locadoras. Uma verdadeira injustiça.

Osvaldo Neto

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